26/05/2008

...Silêncio...

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...SILÊNCIO...
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Silêncio misterioso,

Frágil vidro de Veneza

Que a palavra poderá estilhaçar;

Encanto apetecido,

Quebrado em mil pedaços

Se a ousadia o ferir...
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Em paz e secreto retiro

Permanece,

E vive da riqueza de assim

Continuares;

Refrigério de mente cansada,

Por exaustão de longa

E vã batalha

Por outros horizontes
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Em ti a própria

Quietude comparece


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Casa da Luz_99
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22/05/2008

...O QUE FAZER...

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...E QUE FAZER...

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E que fazer, quando os
Poros rebentam, de tão cheios
De vazio?


Para onde dirigir o ar
Expirado que o corpo rejeitou
Pois não tem onde o
Receber?


Nada se sente, tão dispersos
Os sentidos estão; nada se pensa
Quando os neurónios fervem
Em longos-circuitos que
O infinito apanha e enreda.



Teia de sensações retorcidas
No querer e rejeitar. Ódio
E anseio, desejo e repulsa,
Medo e temeridade.
Uma balança, já!

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Brumas a Norte – 1999

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19/05/2008

...RECADOS...

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...RECADOS...




Não o faças, não cantes o
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“Requiem” apressado dos

Teus sonhos.

Não enterres os desejos

De amanhã.

A frescura matinal que

Duvidas, ainda podes

Saborear no ar _ se

Consentires em senti-la;

Afinal, não vivemos do

Empréstimo da força da

Natureza,

Até sabermos qual é

A nossa?

E, minha amiga, é
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A mesma, é a mesma.

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Casa da Luz_99


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18/05/2008

...Solta Os Dragões De Fogo...


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...SOLTA OS DRAGÕES…


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Solta os dragões de fogo que

Abrigas; deixa-os voar, à tua

Volta abrir asas

E no espaço aliviar seu peso

E teu ardor.

Não acredites que são veneno,

Apenas parte do teu ser atávico

E selvagem que tens que reconhecer

Para que a negação não

Te aperte em mais dor. Ora

Vê: não são répteis: têm asas

E aspiram às alturas. São

Como tu, com direito à

Explosão, para dares a vez à

Quietude.


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Casa da Luz_99


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10/05/2008

...Olhos no Sul...

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...OLHOS NO SUL...

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Olhos no Sul, presa no Norte,
Vivo o desnorte de não ver o sol
Que faz a sombra azul saber a limão
Em dia de sede e secura

Sem o calor da luz viva
E das cores tenras da água que convida.

Solto a saudade, digo-lhe adeus,
Com o gesto leve e
O coração pesado, preso a
Um fardo que afinal não é.

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Desprende a nostalgia
E vive a alegria
De teres
O que és, e seres sem teres que
Que ter mais do que precisas
Para continuar.

Não procurar, não pedir,
Menos medir – essa é
A ambição que deve guiar
Os passos da razão e, quem
Sabe, ensinar o coração.

Perde a memória, vive a
Amnésia que faz frescos
Os dias e lhes dá cores novas
Limpa o rosto dos traços
Que a dor marcou, sorri
À esperança
De te veres sem
Laços, sem rendas ou redes
Que a tua mente tece em volta.
Entrega ao destino, não o
Teu cansaço ou até o tédio,
Mas o fôlego novo que
Cada dia te pode trazer.

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Casa da Luz_ 1999

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..."Constant Craving"...

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…”CONSTANT CRAVING”…*

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O grito de boca cerrada
Que luta por sair _
Por isso os olhos baixados,
Lábios colados, corpo tenso.

“Constant craving”que faz
Doer os nervos,
Arrepiados na contenção;
Batalha de desejos
E libertação
Contra a camisa das
Forças que subsistem.

Sai pelos poros do corpo
Em invisíveis vagas,
Rompe a coberta do desejo
De querer
E não sabe sequer o quê.

O Nirvana é a ausência
De paixão?
Então repudio-o _ não
Haveria sequer manhãs,
Dias ou noites que fizessem
O corpo levantar-se do leito
_ Mero caixão, então,
Negação de vida e de ser:
Nem de bem, nem de mal
(e este, também... quem o vai querer?)

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Casa da Luz_99

..*Nome de canção, cantada por K.D. Lang_em pano defundo

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Música Irlandesa....

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...MÚSICA IRLANDESA...

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Música irlandesa, queixume celta que
Teima em persistir e acender atávicos
Laços da ordem da natureza.

Inexorável lei que se convenciona
Reduzir a ciclos _ repetição, por
Consequência _ mas que a verdade dos
Olhos sábios que a idade dá, sabe
Não ser verdadeira: renovação aparente,
Enfraquecimento regular,
_ Falamos ou não de extinção?
...
Fascinação do etéreo
Atracção do abismo do nada
_ de conhecido, assim seja…
...
Pontos de mantos, em tempos
Brancos, envoltos na poalha
Amarelecida de inúmeras luas
Ressumando o bolor da humidade,
Das antiguidades sobre-
Vivas _ da terra ou do ar?

Erguidas madeixas, fiapos
Descoloridos pelas intempéries dos
Tempos, tristes lamentosas “banshees”
Povoam os espaços das neblinas
Quais mantos que nos cobrem, e
Que os olhos da imaginação
Divisam e a realidade teimosamente
Pretende reduzir a mitos.
Anunciam
_ ou remanescem?
De largas, permanentes mágoas
Da condição humana que
Tiveram
_ Ou deixámos nós de ter?
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Casa da Luz_99

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...Brumas a Norte...

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...BRUMAS A NORTE...


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Deixa que os dedos da neblina,

Em suave frescura, acordem

Tua pele

E que a tímida luz apareça

E, em consolo, a afague

E brinque com o arrepio

Que tu deixas percorrer-te.

Deixa que o sonolento dia

Boceje o seu relento, ainda

Fresco, sobre os teus nervos

Prontos a urdirem, em uníssono,

A teia do suporte que o

Movimento te dá

Enquanto o sol, jogando às

Escondidas, te aquece a alma

E lembra o calor

Que também és...
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_Casa da Luz_99


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