23/06/2008

...COM DEDICATÓRIA...




A VOSSOS BOTÕES


...COM DEDICATÓRIA...



A



O que te segreda, no ouvido,
Quando não sabes o que tens…
Será que o cheiro das flores
De carinho soprado
Elevam a penugem
Que cerca teu pescoço?
Saberás de onde vem
O súbito calor
Que leve nuvem asperge
Sobre ti?
E como é?
Sereno ou irrequieto
O sentimento adivinhado
Em que repousas
Então…?

...

B




E tu? Percebes também
O leve peso da presença
Apenas pressentida,
Torvelinho de calor que
Desrespeita a quietude;
As cócegas de veludo
Que atravessam teu círculo
De ser
E fazem tinir o frágil vidro
Da redoma
Que tento tecer em volta
Ou esperas apenas
Aquecer-te nas ondas mornas
Que atiças?

...

C



Esse brilho de estrelas
Apagadas por diáfana nuvem
De poeiras anti-enganos…
Serão, talvez, perdidas cadentes
Em rota desconhecida
Ou super-novas que, um dia,
Encandearão outros olhos
Em busca da tal luz
Que, sei, quase sempre
Fazes por esconder.
Promessas negadas ou timidez macerada
Que colas a ti próprio
Enquanto te escondes?

Essa chama retida te
Consumirá;
O medo de predadores
Matará tua vocação
De alumiar outros caminhos
Que por ti esperam
- Apenas para
Serem…



Casa da Luz_99

08/06/2008

...VIAGEM...

...


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…VIAGEM…


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Olhos de céu
Tão mais brilhante quanto
De entre brancos farrapos de nuvens
A luz rutilante do sol espreita
…Ou talvez de água
Que fosforesce em cintilações oblíquas
À sombra equívoca das pálpebras,
Venezianas determinadas
Em deixar entrever algo mais do
Que clareza
_ Não limpidez silenciosa,
Antes espelho invertido
De luz/sombras

Vivências de mares do Sul,
Velas encorpadas pelo vento,
Estiradas em cumplicidade com asas
De aves marinhas.
Cor que aperta o coração
De tão forte reconhecimento,
Do anseio de rever o paraíso.
Sulcos de esteira de barcos
Em prados salinos
E que em coruscantes salpicos
Visitam o ar.
Arcos-iris multiplicados
Nas gotas que em “slow motion”
Aprisionam a luz de mil diamantes.
E, ao soltá-la,
Desdobram-se nos braços
Das cores pálidas que, nem assim,
A conseguem reter.
E chovem em lágrimas de
Contínua alegria de existir
_ Enquanto o barco segue
Seu curso.
-
E do choro ao riso, tudo
Sugere: imensidão e limite,
Tanto ai quanto suspiro,
Promessa vã e incondicional
Fé.

………….
Casa da Luz_99

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06/06/2008

...UMA PEQUENA PARTIDA...

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...UMA PEQUENA PARTIDA...




Uma pequena partida pregada


Ao tempo, que tantas partidas

Te prega a ti. E

Como te enganas! Não queres

Outra coisa, aliás…

Sempre a tal grande descoberta,

Pequena redescoberta (infelizmente

Tão repetida): a ilusão

É mesmo mais real do que

A vida; as vidas são bem mais

Inferiores e turvas.



A nitidez não a dá o quotidiano

Mas o viver sonhado,

O real construído pela capacidade

Da ilusão recriada das

Melhores ilusões que outros criaram

E tu bebeste _ também algumas viveste.



Não é um dom, um orgulho;

É uma dor apegada à nostalgia

Que teimas em visitar

_ e de cada vez que lhe bates

À porta, te recebe em vestes

Cada vez mais (ou menos?...)

Esfumadas.
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Brumas a Norte _ 1999

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..."Pele de Burro"...

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…”Pele de Burro”…





Pele de burro, quem és tu?

O tosco ser que aparentas

Ou, bem pequenina, guardada

E nem sempre lampejando,

A princesa de fantasias que

Gostarias de sentir-te?

Capa curtida, macerada, repuxada

Até ao brilho

Da lágrima

Que empresta aos teus olhos

A centelha que quererias

Apreendida

Para momentos mais felizes

Menos fugazes.


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Brumas a Norte _ 99



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