A VOSSOS BOTÕES
A
Quando não sabes o que tens…
Será que o cheiro das flores
De carinho soprado
Elevam a penugem
Que cerca teu pescoço?
Saberás de onde vem
O súbito calor
Que leve nuvem asperge
Sobre ti?
E como é?
Sereno ou irrequieto
O sentimento adivinhado
Em que repousas
Então…?
...
B

E tu? Percebes também
O leve peso da presença
Apenas pressentida,
Torvelinho de calor que
Desrespeita a quietude;
As cócegas de veludo
Que atravessam teu círculo
De ser
E fazem tinir o frágil vidro
Da redoma
Que tento tecer em volta
Ou esperas apenas
Aquecer-te nas ondas mornas
Que atiças?
...
C

Esse brilho de estrelas
Apagadas por diáfana nuvem
De poeiras anti-enganos…
Serão, talvez, perdidas cadentes
Em rota desconhecida
Ou super-novas que, um dia,
Encandearão outros olhos
Em busca da tal luz
Que, sei, quase sempre
Fazes por esconder.
Promessas negadas ou timidez macerada
Que colas a ti próprio
Enquanto te escondes?
Essa chama retida te
Consumirá;
O medo de predadores
Matará tua vocação
De alumiar outros caminhos
Que por ti esperam
- Apenas para
Serem…
Casa da Luz_99






