30/07/2008

(…À VELOCIDADE DA LUZ…)


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(…À VELOCIDADE DA LUZ…)



O meu amor é um mago
Que faz a luz jorrar
E me ilumina
No desejo de escuridão.


O meu amor é um anjo
Que me transporta,
Sem medos,
Às alturas onde voo.


E o coração bate forte,
Como o mais forte
Guerreiro
Que escolhe ser ternura.


O meu amor é tão real
Como a melhor ilusão
Que o mundo dos
Sonhos
Me permite imaginar.


O meu amor não existe
Pois não há palavras
Que o prendam
A este mundo de erro.


O meu amor não tem
Tempo nem espaço:
Atravessa as dimensões
E é a nova versão
Doutra vida nesta aqui.



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Brumas a Norte II- 1999









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15/07/2008

...NÉVOAS...






...NÉVOAS...


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Baixinho, e em

Despedida,

Chamo um sonho

Adormecido

Entre névoas por

Dispersar.

Mas ele faz-se remisso

Tentará, talvez, com

Isso, que lhe faça

Companhia,

Que me deixe retardar;

Mas não há aí alegria,

Emoção ou sentimento

Que eu queira ter

Comigo, transportar como

Bagagem _ e nem sequer

Recordar.

E minha sina não

É viver de tristezas

Passadas.


.
Como o mar tenta

Voar, à boleia das

Rajadas,

Continuo a invocar

Asas de vida desperta

Desse sonho enevoado.





04/07/2008

...ILHA...




...ILHA...

.
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Vivo feita ilha, com
Vista além-mar,
Mas não tenho engenho
Para erguer as pontes
Que de longe a longe
Anseio cruzar.

.
São fracos talentos
Ou apenas medos
Das móveis areias
Onde aquelas pontes
Vão sempre assentar?

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99





01/07/2008

...ECLIPSE...

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ECLIPSE




Anos-luz que durou

_ Mas sempre em eclipse.

Que pobreza! Nem o ilusório

Fugaz momento do diamante

Conseguido _ apenas sombras;

Que transformaram o tempo e espaço

Em limbo que outros não vêem

E que lhes torna os olhos cruéis

Na inexorablidade da passagem

Dos anos, contados

Em calendários rasgados.


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Brumas a Norte – II - 1999







23/06/2008

...COM DEDICATÓRIA...




A VOSSOS BOTÕES


...COM DEDICATÓRIA...



A



O que te segreda, no ouvido,
Quando não sabes o que tens…
Será que o cheiro das flores
De carinho soprado
Elevam a penugem
Que cerca teu pescoço?
Saberás de onde vem
O súbito calor
Que leve nuvem asperge
Sobre ti?
E como é?
Sereno ou irrequieto
O sentimento adivinhado
Em que repousas
Então…?

...

B




E tu? Percebes também
O leve peso da presença
Apenas pressentida,
Torvelinho de calor que
Desrespeita a quietude;
As cócegas de veludo
Que atravessam teu círculo
De ser
E fazem tinir o frágil vidro
Da redoma
Que tento tecer em volta
Ou esperas apenas
Aquecer-te nas ondas mornas
Que atiças?

...

C



Esse brilho de estrelas
Apagadas por diáfana nuvem
De poeiras anti-enganos…
Serão, talvez, perdidas cadentes
Em rota desconhecida
Ou super-novas que, um dia,
Encandearão outros olhos
Em busca da tal luz
Que, sei, quase sempre
Fazes por esconder.
Promessas negadas ou timidez macerada
Que colas a ti próprio
Enquanto te escondes?

Essa chama retida te
Consumirá;
O medo de predadores
Matará tua vocação
De alumiar outros caminhos
Que por ti esperam
- Apenas para
Serem…



Casa da Luz_99

08/06/2008

...VIAGEM...

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…VIAGEM…


.
Olhos de céu
Tão mais brilhante quanto
De entre brancos farrapos de nuvens
A luz rutilante do sol espreita
…Ou talvez de água
Que fosforesce em cintilações oblíquas
À sombra equívoca das pálpebras,
Venezianas determinadas
Em deixar entrever algo mais do
Que clareza
_ Não limpidez silenciosa,
Antes espelho invertido
De luz/sombras

Vivências de mares do Sul,
Velas encorpadas pelo vento,
Estiradas em cumplicidade com asas
De aves marinhas.
Cor que aperta o coração
De tão forte reconhecimento,
Do anseio de rever o paraíso.
Sulcos de esteira de barcos
Em prados salinos
E que em coruscantes salpicos
Visitam o ar.
Arcos-iris multiplicados
Nas gotas que em “slow motion”
Aprisionam a luz de mil diamantes.
E, ao soltá-la,
Desdobram-se nos braços
Das cores pálidas que, nem assim,
A conseguem reter.
E chovem em lágrimas de
Contínua alegria de existir
_ Enquanto o barco segue
Seu curso.
-
E do choro ao riso, tudo
Sugere: imensidão e limite,
Tanto ai quanto suspiro,
Promessa vã e incondicional
Fé.

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Casa da Luz_99

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06/06/2008

...UMA PEQUENA PARTIDA...

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...UMA PEQUENA PARTIDA...




Uma pequena partida pregada


Ao tempo, que tantas partidas

Te prega a ti. E

Como te enganas! Não queres

Outra coisa, aliás…

Sempre a tal grande descoberta,

Pequena redescoberta (infelizmente

Tão repetida): a ilusão

É mesmo mais real do que

A vida; as vidas são bem mais

Inferiores e turvas.



A nitidez não a dá o quotidiano

Mas o viver sonhado,

O real construído pela capacidade

Da ilusão recriada das

Melhores ilusões que outros criaram

E tu bebeste _ também algumas viveste.



Não é um dom, um orgulho;

É uma dor apegada à nostalgia

Que teimas em visitar

_ e de cada vez que lhe bates

À porta, te recebe em vestes

Cada vez mais (ou menos?...)

Esfumadas.
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Brumas a Norte _ 1999

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..."Pele de Burro"...

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…”Pele de Burro”…





Pele de burro, quem és tu?

O tosco ser que aparentas

Ou, bem pequenina, guardada

E nem sempre lampejando,

A princesa de fantasias que

Gostarias de sentir-te?

Capa curtida, macerada, repuxada

Até ao brilho

Da lágrima

Que empresta aos teus olhos

A centelha que quererias

Apreendida

Para momentos mais felizes

Menos fugazes.


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Brumas a Norte _ 99



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26/05/2008

...Silêncio...

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...SILÊNCIO...
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Silêncio misterioso,

Frágil vidro de Veneza

Que a palavra poderá estilhaçar;

Encanto apetecido,

Quebrado em mil pedaços

Se a ousadia o ferir...
..
Em paz e secreto retiro

Permanece,

E vive da riqueza de assim

Continuares;

Refrigério de mente cansada,

Por exaustão de longa

E vã batalha

Por outros horizontes
.


Em ti a própria

Quietude comparece


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Casa da Luz_99
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22/05/2008

...O QUE FAZER...

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...E QUE FAZER...

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E que fazer, quando os
Poros rebentam, de tão cheios
De vazio?


Para onde dirigir o ar
Expirado que o corpo rejeitou
Pois não tem onde o
Receber?


Nada se sente, tão dispersos
Os sentidos estão; nada se pensa
Quando os neurónios fervem
Em longos-circuitos que
O infinito apanha e enreda.



Teia de sensações retorcidas
No querer e rejeitar. Ódio
E anseio, desejo e repulsa,
Medo e temeridade.
Uma balança, já!

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Brumas a Norte – 1999

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19/05/2008

...RECADOS...

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...RECADOS...




Não o faças, não cantes o
.
“Requiem” apressado dos

Teus sonhos.

Não enterres os desejos

De amanhã.

A frescura matinal que

Duvidas, ainda podes

Saborear no ar _ se

Consentires em senti-la;

Afinal, não vivemos do

Empréstimo da força da

Natureza,

Até sabermos qual é

A nossa?

E, minha amiga, é
.
A mesma, é a mesma.

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Casa da Luz_99


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18/05/2008

...Solta Os Dragões De Fogo...


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...SOLTA OS DRAGÕES…


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Solta os dragões de fogo que

Abrigas; deixa-os voar, à tua

Volta abrir asas

E no espaço aliviar seu peso

E teu ardor.

Não acredites que são veneno,

Apenas parte do teu ser atávico

E selvagem que tens que reconhecer

Para que a negação não

Te aperte em mais dor. Ora

Vê: não são répteis: têm asas

E aspiram às alturas. São

Como tu, com direito à

Explosão, para dares a vez à

Quietude.


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Casa da Luz_99


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10/05/2008

...Olhos no Sul...

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...OLHOS NO SUL...

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Olhos no Sul, presa no Norte,
Vivo o desnorte de não ver o sol
Que faz a sombra azul saber a limão
Em dia de sede e secura

Sem o calor da luz viva
E das cores tenras da água que convida.

Solto a saudade, digo-lhe adeus,
Com o gesto leve e
O coração pesado, preso a
Um fardo que afinal não é.

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Desprende a nostalgia
E vive a alegria
De teres
O que és, e seres sem teres que
Que ter mais do que precisas
Para continuar.

Não procurar, não pedir,
Menos medir – essa é
A ambição que deve guiar
Os passos da razão e, quem
Sabe, ensinar o coração.

Perde a memória, vive a
Amnésia que faz frescos
Os dias e lhes dá cores novas
Limpa o rosto dos traços
Que a dor marcou, sorri
À esperança
De te veres sem
Laços, sem rendas ou redes
Que a tua mente tece em volta.
Entrega ao destino, não o
Teu cansaço ou até o tédio,
Mas o fôlego novo que
Cada dia te pode trazer.

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Casa da Luz_ 1999

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..."Constant Craving"...

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…”CONSTANT CRAVING”…*

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O grito de boca cerrada
Que luta por sair _
Por isso os olhos baixados,
Lábios colados, corpo tenso.

“Constant craving”que faz
Doer os nervos,
Arrepiados na contenção;
Batalha de desejos
E libertação
Contra a camisa das
Forças que subsistem.

Sai pelos poros do corpo
Em invisíveis vagas,
Rompe a coberta do desejo
De querer
E não sabe sequer o quê.

O Nirvana é a ausência
De paixão?
Então repudio-o _ não
Haveria sequer manhãs,
Dias ou noites que fizessem
O corpo levantar-se do leito
_ Mero caixão, então,
Negação de vida e de ser:
Nem de bem, nem de mal
(e este, também... quem o vai querer?)

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Casa da Luz_99

..*Nome de canção, cantada por K.D. Lang_em pano defundo

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Música Irlandesa....

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...MÚSICA IRLANDESA...

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...

Música irlandesa, queixume celta que
Teima em persistir e acender atávicos
Laços da ordem da natureza.

Inexorável lei que se convenciona
Reduzir a ciclos _ repetição, por
Consequência _ mas que a verdade dos
Olhos sábios que a idade dá, sabe
Não ser verdadeira: renovação aparente,
Enfraquecimento regular,
_ Falamos ou não de extinção?
...
Fascinação do etéreo
Atracção do abismo do nada
_ de conhecido, assim seja…
...
Pontos de mantos, em tempos
Brancos, envoltos na poalha
Amarelecida de inúmeras luas
Ressumando o bolor da humidade,
Das antiguidades sobre-
Vivas _ da terra ou do ar?

Erguidas madeixas, fiapos
Descoloridos pelas intempéries dos
Tempos, tristes lamentosas “banshees”
Povoam os espaços das neblinas
Quais mantos que nos cobrem, e
Que os olhos da imaginação
Divisam e a realidade teimosamente
Pretende reduzir a mitos.
Anunciam
_ ou remanescem?
De largas, permanentes mágoas
Da condição humana que
Tiveram
_ Ou deixámos nós de ter?
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Casa da Luz_99

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...Brumas a Norte...

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...BRUMAS A NORTE...


..
Deixa que os dedos da neblina,

Em suave frescura, acordem

Tua pele

E que a tímida luz apareça

E, em consolo, a afague

E brinque com o arrepio

Que tu deixas percorrer-te.

Deixa que o sonolento dia

Boceje o seu relento, ainda

Fresco, sobre os teus nervos

Prontos a urdirem, em uníssono,

A teia do suporte que o

Movimento te dá

Enquanto o sol, jogando às

Escondidas, te aquece a alma

E lembra o calor

Que também és...
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_Casa da Luz_99


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