15/07/2008

...NÉVOAS...






...NÉVOAS...


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Baixinho, e em

Despedida,

Chamo um sonho

Adormecido

Entre névoas por

Dispersar.

Mas ele faz-se remisso

Tentará, talvez, com

Isso, que lhe faça

Companhia,

Que me deixe retardar;

Mas não há aí alegria,

Emoção ou sentimento

Que eu queira ter

Comigo, transportar como

Bagagem _ e nem sequer

Recordar.

E minha sina não

É viver de tristezas

Passadas.


.
Como o mar tenta

Voar, à boleia das

Rajadas,

Continuo a invocar

Asas de vida desperta

Desse sonho enevoado.





04/07/2008

...ILHA...




...ILHA...

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Vivo feita ilha, com
Vista além-mar,
Mas não tenho engenho
Para erguer as pontes
Que de longe a longe
Anseio cruzar.

.
São fracos talentos
Ou apenas medos
Das móveis areias
Onde aquelas pontes
Vão sempre assentar?

.........

99





01/07/2008

...ECLIPSE...

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ECLIPSE




Anos-luz que durou

_ Mas sempre em eclipse.

Que pobreza! Nem o ilusório

Fugaz momento do diamante

Conseguido _ apenas sombras;

Que transformaram o tempo e espaço

Em limbo que outros não vêem

E que lhes torna os olhos cruéis

Na inexorablidade da passagem

Dos anos, contados

Em calendários rasgados.


………………………….
Brumas a Norte – II - 1999







23/06/2008

...COM DEDICATÓRIA...




A VOSSOS BOTÕES


...COM DEDICATÓRIA...



A



O que te segreda, no ouvido,
Quando não sabes o que tens…
Será que o cheiro das flores
De carinho soprado
Elevam a penugem
Que cerca teu pescoço?
Saberás de onde vem
O súbito calor
Que leve nuvem asperge
Sobre ti?
E como é?
Sereno ou irrequieto
O sentimento adivinhado
Em que repousas
Então…?

...

B




E tu? Percebes também
O leve peso da presença
Apenas pressentida,
Torvelinho de calor que
Desrespeita a quietude;
As cócegas de veludo
Que atravessam teu círculo
De ser
E fazem tinir o frágil vidro
Da redoma
Que tento tecer em volta
Ou esperas apenas
Aquecer-te nas ondas mornas
Que atiças?

...

C



Esse brilho de estrelas
Apagadas por diáfana nuvem
De poeiras anti-enganos…
Serão, talvez, perdidas cadentes
Em rota desconhecida
Ou super-novas que, um dia,
Encandearão outros olhos
Em busca da tal luz
Que, sei, quase sempre
Fazes por esconder.
Promessas negadas ou timidez macerada
Que colas a ti próprio
Enquanto te escondes?

Essa chama retida te
Consumirá;
O medo de predadores
Matará tua vocação
De alumiar outros caminhos
Que por ti esperam
- Apenas para
Serem…



Casa da Luz_99

08/06/2008

...VIAGEM...

...


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…VIAGEM…


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Olhos de céu
Tão mais brilhante quanto
De entre brancos farrapos de nuvens
A luz rutilante do sol espreita
…Ou talvez de água
Que fosforesce em cintilações oblíquas
À sombra equívoca das pálpebras,
Venezianas determinadas
Em deixar entrever algo mais do
Que clareza
_ Não limpidez silenciosa,
Antes espelho invertido
De luz/sombras

Vivências de mares do Sul,
Velas encorpadas pelo vento,
Estiradas em cumplicidade com asas
De aves marinhas.
Cor que aperta o coração
De tão forte reconhecimento,
Do anseio de rever o paraíso.
Sulcos de esteira de barcos
Em prados salinos
E que em coruscantes salpicos
Visitam o ar.
Arcos-iris multiplicados
Nas gotas que em “slow motion”
Aprisionam a luz de mil diamantes.
E, ao soltá-la,
Desdobram-se nos braços
Das cores pálidas que, nem assim,
A conseguem reter.
E chovem em lágrimas de
Contínua alegria de existir
_ Enquanto o barco segue
Seu curso.
-
E do choro ao riso, tudo
Sugere: imensidão e limite,
Tanto ai quanto suspiro,
Promessa vã e incondicional
Fé.

………….
Casa da Luz_99

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